Eu fui ao Mundo Pixar para viver uma experiência. Saí de lá pensando em publicidade.
Quando fui ao Mundo Pixar, no BarraShopping, eu já imaginava que encontraria cenários bonitos, personagens conhecidos e muitas oportunidades para tirar fotos. O que eu não esperava era sair de lá pensando tanto sobre comunicação.
Como publicitária, eu tenho o hábito de observar aquilo que está por trás das experiências. Enquanto muita gente olha para um cenário e pensa “que incrível”, eu inevitavelmente começo a pensar: por que escolheram isso? Por que essa cor? Por que esse tamanho? Por que esse detalhe está aqui? O que essa pessoa está sentindo nesse momento?
E foi exatamente isso que aconteceu comigo no Mundo Pixar.
A exposição consegue transformar filmes que já fazem parte do imaginário de muita gente em experiências físicas, sensoriais e participativas. E, olhando para tudo isso com um olhar de publicidade, encontrei algumas lições que vão muito além do entretenimento.
1. Branding começa antes da marca falar
Uma das primeiras coisas que percebi foi que a comunicação não começa quando alguém explica quem é determinado personagem ou história. Ela começa no ambiente.
O espaço da Edna Moda, de Os Incríveis, é um ótimo exemplo. Antes mesmo de qualquer explicação, o cenário já comunica quem ela é. As revistas, os croquis, os tecidos, a organização do espaço e até a iluminação ajudam a construir uma personalidade ligada à criatividade, autoridade e exclusividade.
Isso me fez pensar em algo que considero essencial na publicidade: uma marca não comunica apenas pelo que diz.
Ela comunica pelo ambiente, pelas cores, pelas formas, pelos materiais, pelo tom de voz e por todas as pequenas escolhas que fazem parte da experiência.
Quando uma marca é bem construída, muitas vezes eu consigo reconhecer o que ela representa antes mesmo de alguém precisar me explicar.
2. As cores também comunicam
Na sala de Divertida Mente, isso fica ainda mais evidente.
As cores não estão ali simplesmente porque deixam o ambiente bonito. Elas ajudam a construir a atmosfera e conduzem a experiência. A iluminação, os elementos visuais e os próprios personagens trabalham juntos para provocar sensações diferentes.
E isso é publicidade na prática.
Cor não é apenas estética. Uma escolha cromática pode despertar sensações, criar associações e influenciar a maneira como eu percebo determinado espaço ou marca.
Foi impossível passar por aquele ambiente sem pensar em como uma identidade visual bem construída precisa fazer mais do que “combinar”. Ela precisa comunicar.
Uma boa identidade visual não serve apenas para ser bonita. Ela precisa fazer alguma coisa comigo.
3. As marcas também podem ser lembradas pelo cheiro
Essa foi uma das coisas que mais me chamou atenção durante a experiência.
Alguns ambientes possuem aromas próprios, pensados de acordo com a história. Um exemplo que ficou muito marcado para mim foi o espaço da creche, que tinha cheiro de bala, como se realmente estivéssemos em um ambiente cheio de crianças consumindo doces.
É um detalhe que eu poderia facilmente não perceber. Mas, quando percebi, a experiência mudou.
A exposição deixou de trabalhar apenas com aquilo que eu estava vendo e passou a trabalhar também com aquilo que eu estava sentindo.
Isso é marketing sensorial.
Quando uma experiência consegue envolver mais de um sentido, ela ganha outra dimensão. O cheiro pode despertar uma memória, reforçar uma sensação e fazer com que aquele momento seja lembrado de uma maneira diferente.
E é justamente aí que eu vejo uma grande oportunidade para as marcas: não pensar apenas no que o consumidor vai ver, mas no que ele vai sentir.
4. A experiência muda quando eu participo dela
Talvez uma das coisas mais interessantes do Mundo Pixar seja perceber como a escala dos ambientes foi pensada para colocar o visitante dentro da história.
No espaço de Toy Story, por exemplo, eu não estava simplesmente diante de uma reprodução do quarto do Andy. Eu estava em um ambiente construído para que eu me sentisse pequena, como um brinquedo dentro daquele universo.
E isso muda completamente a relação com a experiência.
Eu deixo de ser apenas espectadora e passo a participar.
Na publicidade, isso é extremamente poderoso. Quando o consumidor deixa de apenas receber uma mensagem e passa a fazer parte dela, a conexão emocional tende a ser muito maior.
É a diferença entre me contar uma história e me colocar dentro dela.
5. Os pequenos detalhes também fazem parte da estratégia
Quem conhece a Pixar provavelmente já sabe que existe uma brincadeira recorrente em seus filmes: os famosos Easter Eggs.
Na exposição, eles também estão presentes.
Existe uma espécie de missão escondida em cada ambiente: encontrar a famosa bolinha da Pixar.
E eu achei isso muito interessante porque transforma uma visita que poderia ser apenas contemplativa em uma experiência de descoberta.
De repente, eu não estou mais apenas olhando os cenários. Estou procurando alguma coisa.
Esse pequeno detalhe aumenta a minha curiosidade, faz com que eu permaneça mais tempo no ambiente e me incentiva a observar aquilo que talvez passasse despercebido.
Na publicidade, detalhes assim podem ter um papel enorme.
Uma pequena surpresa pode fazer alguém prestar mais atenção, comentar, fotografar, compartilhar e até querer voltar para descobrir aquilo que não encontrou da primeira vez.
6. Uma boa experiência também é pensada para ser compartilhada
Outra coisa que eu percebi foi o quanto os ambientes são favoráveis à criação de conteúdo espontâneo.
Os cenários de Carros, por exemplo, foram construídos com elementos que funcionam muito bem para fotografia e vídeo. Praticamente de qualquer ângulo existe uma possibilidade interessante de registro.
E isso não acontece por acaso.
Quando eu encontro um cenário visualmente marcante, naturalmente quero fotografar. Quando faço uma foto, provavelmente vou querer compartilhar. E, quando compartilho, aquela experiência passa a alcançar pessoas que nem sequer estiveram na exposição.
É uma forma de ampliar a comunicação por meio do próprio público.
A marca cria a experiência, mas são as pessoas que ajudam a espalhá-la.
E talvez essa seja uma das coisas mais interessantes do marketing de experiência: quando o público tem vontade de registrar e compartilhar espontaneamente, a própria experiência passa a fazer parte da comunicação.
7. A nostalgia continua sendo uma das ferramentas mais poderosas da comunicação
E, para mim, esse foi um dos pontos mais fortes de toda a experiência.
O Mundo Pixar não trabalha apenas com personagens. Ele trabalha com memórias.
Quando eu entrei em determinados ambientes, não estava apenas vendo Toy Story, Up ou outros filmes que conheço. Eu estava reencontrando histórias que fizeram parte de diferentes momentos da minha vida.
E a nostalgia tem esse poder.
Ela cria uma ponte entre o que eu estou vivendo agora e aquilo que eu já vivi.
A Pixar não está simplesmente apresentando personagens. Ela está acessando lembranças, sentimentos e vínculos emocionais que já existem.
E quando uma marca consegue ocupar esse espaço na memória de alguém, ela deixa de disputar apenas atenção.
Ela passa a fazer parte da história daquela pessoa.
No fim, a magia está nos detalhes
Eu fui ao Mundo Pixar esperando encontrar uma exposição bonita e divertida. Encontrei isso, claro. Mas, como publicitária, saí de lá observando muito mais do que os personagens e os cenários.
Eu percebi branding no ambiente, comunicação nas cores, marketing sensorial nos aromas, storytelling na forma como os espaços foram construídos, participação na escala dos cenários, estratégia nos Easter Eggs e incentivo ao compartilhamento em cada cantinho pensado para ser fotografado.
E, acima de tudo, percebi o poder da emoção e da memória.
No fim das contas, talvez essa seja a maior lição que eu trouxe do Mundo Pixar: uma experiência marcante não acontece por acaso. Existe estratégia por trás daquilo que parece apenas magia.
E talvez seja justamente isso que nós, publicitários, precisamos aprender a fazer melhor: criar experiências que as pessoas não apenas vejam, mas queiram viver, sentir, lembrar e contar.
Porque quando a comunicação consegue virar experiência, ela deixa de ser apenas uma mensagem. Ela passa a fazer parte da memória.
